A BURETA

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Não dá para descrever o orgulho de ter conversado via e-mail com Toquinho. Compositor e instrumentista respeitado no Brasil e no exterior, ele foi por anos parceiro de música, vida e poesia de Vinícius de Moraes. Em toda a sua carreira tem aliado técnica e simplicidade como ninguém. Esses foram alguns dos assuntos abordados nessa entrevista. Saboreie esse presente de A BURETA para seus leitores.



A BURETA: Você parece ter uma forte ligação com a Itália. Como
surgiu essa ligação?


TOQUINHO: Além da minha ascendência, a ligação com a Itália começou quando
acompanhei Chico Buarque, em 1969, período em que ele ficou "exilado" por
motivos políticos. Desde aí, nunca mais deixei de me apesentar naquele país.


A BURETA: Como era sua amizade com o GRANDE Vinícius fora dos
palcos?


TOQUINHO: Vinícius era amigo em todos os sentidos: nos restaurantes, nas viagens,
em casa, na malevolência da Bahia, nas agitações do Rio de Janeiro.
Gostávamos das mesmas coisas: comer bem, amigos inteligentes, mulheres
bonitas, cidades interessantes, e a música sempre presente em todos os
espaços da amizade.


A BURETA: E o processo criativo com o Vinícius? Como surgia aquela
quimica maravilhosa?

TOQUINHO: O processo criativo era constante, principalmente nos primeiros 4 anos da
parceria. Vivíamos música o dia inteiro, e qualquer situação inusitada era
motivo para um acorde, uma frase, uma idéia que resultasse numa canção. E
havia sempre disposição para isso: de manhã, à tarde, à noite, de madrugada,
estávamos sempre ligados.


A BURETA: Ainda sobre o Vinicius: qual sua parceria com o poeta
que você mais gosta?

TOQUINHO: Impossível dizer de uma canção apenas feita com Vinícius. Há tantas que
me tocam profundamente, pela composição em si, pela estrutura musical e
poética, pelo tema. Canções como "Tarde em Itapuã",

"O filho que eu quero ter”,
"São demais os perigos dessa vida", "Regra três", "Rosa desfolhada",
"Testamento", "As cores de abril", meu Deus, são tantas!.


A BURETA: Outro dia fui procurar na Internet informações sobre o
Luis Bonfá e o site mais completo que eu achei foi de um
estudante de pós-graduação japonês. O que você acha da
musica brasileira ser mais respeitada e valorizada na
Europa e no Japão que em nosso proprio país?

TOQUINHO: Nesses lugares o instrumentista é essencialmente valorizado. Daí o
destaque maior de quem maneja um instrumento, e ainda mais compõe. Então,
completa-se num artista o que eles gostam de ver: talentos unidos em torno
da música.


A BURETA: Quais são seus projetos atuais?

TOQUINHO: Meus projetos atuais são novos CDs a serem lançados durante esse ano, e
continuar com minhas apresentações em shows.


A BURETA: Canções suas com "Aquarela" fazem sucesso até com a
criançada. Como suas canções podem ser tão elaboradas
tecnicamente e ainda assim soar tão simples e serem tão
fáceis de entender?

TOQUINHO: A simplicidade requer elaboração, estudo e dedicação. Há que haver tempo
para se atingir a simplicidade. "Aquarela" é a tradução desse segredo.


A BURETA: Você gosta de fazer shows? Parece que há uma enorme
magia no ar quando você se apresenta ao vivo.

TOQUINHO: O palco faz parte integrante de minha vida há muitos anos, talvez desde o
início mesmo de minha carreira. Cada vez mais me identifico com a magia de
estar cantando e tocando para o público, diretamente. É uma felicidade.


A BURETA: Para terminar, de tantos discos que você gravou, você
tem alguns favoritos? Quais? E uma pessoa que quer
conhecer sua obra,por qual disco deveria começar?

TOQUINHO: É muito difícil destacar um disco. Para mim, são todos de qualidade,
representando a época em que foram gravados.




C - TIME BURETA, 2001