i drive to crash...


ÍNDICE

A BURETA





Uma das canções que mais tem rolado, já há algum tempo, aqui na redação da Bureta é Crash, a bossa nova pervertida dos Mechanics.

Os caras são os principais representantes da cena indie goiana, de onde vem os igualmente criativos e por nós venerados Hang The Superstars.

Sobre o cd deles, Psycho Love, você certamente já leu aqui neste e-zine. Palavras jamais serão suficientes para definir quão louca é a bolacha.

Os Mechanics são formados por Marcio Jr. (vocais), Little John , ( baixo ), Eduardo Neri ( guitarras ) e pelo Jaime ( bateria ).

Quem fez o primeiro contato conosco foi o Jaime, mas quem concedeu a entrevista foi o Márcio.

Para saber mais sobre os Mechanics, acesse o site da Monstro Discos :

www.monstrodiscos.com.br

Confira a entrevista.













Crash ( Marcio Jr. - letra, Mechanics - música )







Techno-pornography

Catherine at the airport

Prothesis and body parts

Screws and bones



I drive to crash

I drive to...



Retortioned metal

Flesh and steel

Blood , sperm

Sex and cars



Broken glasses

Esthetic scars

Mechanic fucks

Sickness taste



Citroen Pallas

Collision noise

Orgasm and paranoya

Ballard knows everything.




    A cena indie goiana está renovando a própria cena indie brasileira. Como é fazer música indie em Goiás?

1 – Rapaz, você nem imagina como é bom ouvir um elogio desses... Mas o fato é que eu nem sei se nós aqui estamos realmente renovando a cena indie brasileira. É claro que Goiânia tem bandas muito legais como a gente (os vovôs da cena), o MQN, o Hang The Superstars entre outras. Porém, o que acho mais importante é a profissionalização que nós da Monstro Discos estamos implementando no circuito de rock alternativo. Levar as coisas a sério e trabalhar duro é o grande trunfo que nós temos por aqui.


    Vocês ajudam a organizar os festivais daí (Bananada e Goiania Noise Festival). Como começou essa movimentação?

2 – A coisa toda começou há quase 10 anos atrás comigo e com o Léo Bigode.

Tivemos loja, selo (Sonic Records) criamos o Goiânia noise e nos metemos em todas as roubadas possíveis e imagináveis. Mais adiante, apareceram o Fabrício Nobre (idealizador do Bananada) o Léo Razuk e o Maurício Mota. Durante todos esses anos o que rolou foi muita ralação, mas é muito bom ver que as coisas estão se estruturando e funcionando cada vez melhor.


    Vocês participaram da fundação da Monstro Discos? São “acionistas” da gravadora?

3 – “Sex, Rockets and Fithy Songs” (o nosso “7” azul) foi o título que inaugurou o catálogo da Monstro. Já há algum tempo ele está esgotado e foi muito engraçado ver o Marcelo Viegas (Short Recs.), que ainda tem algumas cópias, vendendo o compacto a DEZ REAIS no Circadélica, em Sorocaba, Agora, sócio mesmo, sou apenas eu. Ou seja, o resto dos Mechanics são apenas meus fiéis funcionários.


    O disco é repleto de referências pop. Algumas eu saquei, outras não. De onde surgiu a inspiração para Satan’s Surf, Monga e Spider Baby?

4 – Essa coisa das referências pop são uma das principais características do Mechanics. Nós realmente temos uma preocupação que vai além da música, uma preocupação estética mesmo. Psycho Love é repleto disso e eu acho que a medida que a pessoa consegue identificar estas referências o disco vai ficando mais e mais interessante. Spider Baby é um tipo de homenagem à Aeon Flux. Monga, por sua vez, é aquela atração de quermeces do interior, a mulher que se transforma em gorila por meio de um jogo de espelhos. Mais trash, impossível! E o mais interessante é que nas décadas de 40 ou 50, sei lá, a Monga era um espetáculo super sofisticado e concorrido. Hoje, é algo anacrônico e decadente. Acredito que as próximas gerações não terão a oportunidade de conhece-la. Satan’s Surf é só uma porralouquice absurda, uma ode ao mau-comportamento, uma influência do Ministry/Butthole Surfers.


    Quadrinhos e cinema devem ser paixões de vocês. Dá para citar algumas coisas que vocês gostam nessas áreas?

5 – Cara, antes mesmo da música eu já era apaixonado por quadrinhos. Posso ficar horas falando sobre os meus autores favoritos: Jack Kirby, Moebius, Alan Moore, Frank Miller, Dan Clowes, Crumb, Fábio Zimbres, Mike Alhed, Jayme e Gilbert Hernandez, Corben, Steve Ditko, Charles Burns...Putz, a lista é enorme! O cinema é uma tara comum a todos da banda: David Lynch, Cronenberg, Scorcese, Jodordvsky, Mojica, Ivan Cardoso, os filmes da boca do lixo e até mesmo as bagaceiras do nosso amigo Petter Baiestorf. A gente adora estas coisas!


    Quais suas influências musicais?

6 – Quem já viu um show do mechanics sabe bem qual é a nossa onda. O que nos influencia são aquelas bandas virulentas, sacanas, garageiras. Stooges, Butthole Surfers, Melvins, Mudhoney... E tem também um lado Pop (com P maiúsculo) que é meio que uma herança da ousadia do glam rock: Bowie, Roxy Music, T-Rex... com relação ao Bowie eu realmente tenho que abrir um parênteses aqui. Eu sou meio que obcecado pelo cara, pela sua capacidade de não se ater a nada pré-determinado, pela sua liberdade criativa e capacidade de surpreender sempre. É isso que a gente busca com o Mechanics (não to dizendo que a gente tem conseguido), o inusitado, a surpresa. Sempre que pensam que a gente vai fazer uma coisa, nós aparecemos com outra totalmente diferente. Essa é a nossa pretensão, manter a banda nova e interessante pra nós mesmos.


    Vocês colecionam discos? Dá para citar os mais legais e os mais exóticos?

7 – Não posso dizer que eu tenha uma grande coleção (são uns 500 CDs e mais ou menos o mesmo tanto em vinis), mas eu realmente gasto boa parte da minha grana em discos. Transformer (Lou Reed), Low (Bowie), Dressed to Kill (Kiss), o 1º do Roxy Music, Goo (Sonic Youth) Surfer Rosa (Pixies) e Raw Power (Stooges) são alguns dos preferidos. Esquisitices? Bom, tenho a trilha sonora do 1º filme do David Linch, Eraserhead, compactos em vinil de um monte de selos legais gringos como o Man’s Ruine, Sympathy For The Records Industry, piro pras bandas da Estrus (Mono Men, The Makers, Monkey Wrench,...) tem também a soul music de Isaac Hayes, James Brown e o nosso Gerson King Combo, Miles Davis, Eric Dolphy e discos da Blue Note, Kid Abelha, Richie e por aí vai...


    Como pintou o contato com o Mudhoney? Ainda existe alguma comunicação?

8 – Muita gente mesmo! Walverdes, Divine, Prot(o), Maybees, Thee Butcher’s Orchestra, Wry, Frank Jorge, Hang, Momento 68,... O catálogo da Monstro é muito bom. O mais legal é que nós somos fãs das bandas que lançamos.


    Como pintou o contato com o Mudhoney? Ainda existe alguma comunicação?

9 – O Mudhoney foi através da Motor Music, que estava fazendo a tour dos caras pelo Brasil. Foi muito legal tocar com os caras, afinal eles são uma influência direta. Atualmente nós não temos contato com eles, mas o MQN ta gravando uma música do Monkey Wrench (banda do Mark Arm e do Steve Turner).


    Além de ter a banda, vocês têm alguma “profissão paralela”?

10 – É lógico! Nunca ganhamos um centavo com o Mechanics. Muito pelo contrário. Eu sou professor de Matemática e Física e sócio de um pequeno Colégio Supletivo, o Jaime é Designer Publicitário e também trampa como artista plástico, o Túlio meche com computadores e o Marcelo é acadêmico de Direito. Não trabalha não, pra ver.


    Como surgiu a idéia de convidar o Zimbres para ilustrar o cd? Como foi trabalhar com ele?

11 – A arte do Zimbres pro CD foi outra realização. Acho o cara o mais importante dos quadrinistas underground do país. Sou fã mesmo, há muito tempo. Ele topou fazer a parada e teve muito cuidado e dedicação. Pra mim, só isso já valeria toda a trajetória da banda!


    Quais os próximos projetos da banda?

12 – A curto prazo, o mais legal vai ser os shows que iremos fazer com o NEBULA e o Musichaos com eles e o GBH (UK). E já estamos compondo o próximo disco, que eu acho que vai deixar muita gente sem entender nada, tamanha a esquisitice das músicas que nós estamos fazendo. Até lá, quem quiser comprar o Psycho Love é só enviar R$13 em cheque nominal cruzado a Márcio Mário da Paixão Jr. Rua 72, nº 56 – Centro 74045-120 Goiânia – GO. Ou ligar para (62) 223-7721.


Última pergunta: quais as suas 5 músicas favoritas na última semana?


13 –

1 Mask (Iggy Pop)

2 Whatcha Lookin’for (Nebula)

3 Gabriela (Jorge Ben)

4 Only When you Leave (Spandau Ballet)

5 Nature Boy (Bowie e Massive Attack)









c- time bureta, 2001.