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Quando Jupiter Maçã apareceu com seu primeiro cd, A Sétima Efervescência , parecia que Porto Alegre tinha se tornado uma Swinging Porto Alegre, tamanho era o clima de psicodelia da bolacha.
Depois foi a vez de Jupiter tornar-se Jupiter Apple, passando a compor em inglês e mandou climas de bossa nova e ye-ye girls ( o pop feminino francês dos anos 1960 ) no seu segundo cd, Plastic Soda.
Engana-se contudo quem pensa que Jupiter seja um cara saudosista. Ele está sempre olhando para o futuro, ainda que use elementos de outras décadas.
Intrigante, como tudo que vem da mente dos gaúchos, o
trabalho deste multiinstrumentista é universal. Por isso A
BURETA resolver conhecer um pouco da cabeça do cara.
1.Como foi o processo de composição e gravação de A
Sétima Efervescência?
R.: Foi espontâneo como costuma acontecer comigo. Não sou muito cerebral na maioria dos casos no processo de criação e sim no de finalização.
2. O Wander Wildner regravou Lugar do Caralho, faixa
deste primeiro cd. Como rolou este contato?
R.: Acho que Wander sempre admirou meu trabalho do mesmo jeito que admiro o dele. Bom somos conterrâneos, não foi tão difícil o contato.
3. E as gravações de Plastic Soda? Mudou muita coisa em
relação ao primeiro cd?
R.: Sim e não. Bem, usei algumas técnicas que davam ênfase a atmosfera intimista de certa forma a característica principal do album.
4. Você chamaria as canções de Plastic Soda de lounge?
R.: Não. Mas existem algumas ligações, possivelmente as modulações dos acordes. Particularmente a suposta conexão não me incomoda de forma alguma.
5. Você tocava nos Cascavelletes! Dá para falar um pouco
sobre sua antiga banda? Algum material da banda será
relançado em cd?
R.: Bom, Cascavelettes pra mim tem a ver com o meu passado. Não é uma grande paixão ficar falando disso, não que não tenha sido bom mas prefiro olhar para o futuro. Sim, uma hora dessas sairá algum material inédito, aguardem!
6. A gauchada parece ter muita influência do pessoal da
Jovem Guarda. Você sente essa influência no seu trabalho?
R.: Acho que os gaúchos são meio cínicos, acho que os elementos musicais da Jovem Guarda podem nos ajudar eventualmente a nos expressarmos em algumas dessas incursões não tão singelas.
7. Aproveitando o gancho, quais suas influências?
R.: Lennon & McCartney, Ray Davies, João Gilberto, Françoise Hardy e outros tantos.
8. A cena gaúcha está sempre surpreendendo com
sonoridades inesperadas. Além de Jupiter Apple, o que
está acontecendo de legal aí no sul?
R.: Bom, estou morando em São Paulo e acabo não ficando completamente por dentro do que rola, mas Os The Darma Lovers parecem estar impressionando na cena. Ah, tem também o Bidê ou Balde.
9. O público indie está aumentando no Brasil?
R.: Não tenha dúvida que sim. Não existem muitas saídas para todo esse stream.
10. Você coleciona discos? Quais seus favoritos? E os
mais exóticos?
R.: Deixei todos os meus vinís para trás (infelizmente) quando comecei a me mudar de um lado para o outro. Não é tão exótico, mas sempre me hipnotiza. É o Françoise Hardy de 1971.

Acima: a bela cantora francesa Françoise Hardy.
11. Você é muito ligado nos anos 1960. Você curte o
cinema daquela época também?
R.: O Blow Up (Antonioni)e o Clockwork Orange (Kubrick) são obras primas dessa época. Françoise Trufault, Roman Polanski e até mesmo o superpop Richard Lester estavam igualmente inspirados. Sem falar no Glauber?!
Abaixo: cartazes de filmes citados por Jupiter.
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Blow Up, Depois Daquele Beijo, do italiano Antonioni, foi um retrato da Swinging London. A modelo no cartaz é a famosa Veruschka, que inspirou a canção da banda alemã Riviera. |
Laranja Mecânica, de Kubrick, trazia, como diz o cartaz, ultra-violência, estrupro e Beethoven. |
Deus e o Diabo na Terra do Sol, clássico do Cinema Novo assinado por Glauber Rocha. |
12. Quais seus próximos projetos?
R.: Devo estar lançando um curta metragem ainda este ano e também o suposto album de 2001.
13. Para terminar, quais as cinco canções que não saem
da sua cabeça nos últimos dias?
R.: Cibele's Reverie do Stereolab, Boris The Spider do The Who, Point da Françoise Hardy, alguma coisa do Belle & Sebastian e Once The World minha mesmo. Não sai da minha cabeça porque estou com os fones.
C - TIME BURETA, 2001.