A BURETA

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CELEBRANDO HARRISON

Comemorando os 30 anos do lançamento do primeiro álbum solo de George Harrison, o TIME BURETA se reúne para decifrar os segredos de uma obra que permanece no tempo.

Nos textos abaixo, Denilson Demori nos mostra porque All Things Must Pass é um álbum tão legal. Já Helio Medina dá uma mergulhada em facetas às vezes esquecidas de George Harrison.



Os diamantes de George


Imagine fazer parte da mais genial banda de todos os tempos, ser um músico maravilhoso e um compositor de primeira e ter suas músicas desprezadas por seus companheiros de banda.........(o máximo que podia fazer era ter uma ou duas músicas por álbum ). Pois é, George Harrison viveu isto por muitos anos até a separação dos Beatles.

Isto precisou ser mencionado para justificar a reedição do álbum All things must pass, lançado há trinta anos e reeditado agora em cd em edição caprichada e com todas as faixas remasterizadas. O álbum contém notas e fotos das seções de gravação e traz algumas das mais belas canções já escritas, como por exemplo, "Isn't it a pity" (apresentada em duas versões igualmente brilhantes), "My sweet Lord" (provavelmente a mais conhecida do álbum, regravada por muitos), "Beware of Darkness" ( na qual George nos da conselhos valiosos), "Ballad of Sir Frankie Crisp (Let it roll)", a faixa que dá nome ao álbum, entre outras, todas elas compostas na época dos Beatles e ignoradas pelos colegas de banda, com boa razão já que elas poderiam facilmente ter ofuscado as composições da dupla Lennon/MacCartney.

A produção do disco ficou a cargo de Phil Spector, o melhor revolucionário produtor da década de sessenta e criador do famoso Wall of Sound (técnica de gravação que cria um clima sonoro extremamente denso) que permeia todo o disco e é preciso citar também o time de músicos altamente gabaritados que George convocou para participar dos disco, entre eles Eric Clapton, Alan White e Bobby Keys. Há muito tempo esse disco merecia uma reedição caprichada como esta. É certo que George ainda gravaria álbuns importantes como o seguinte "Living in a Material World" mais nada que se comparasse as canções deste "All Things Must Pass" que como diz o título deste texto são como diamantes, ou melhores, pois não podem ser roubadas.

Enjoy it!


Denilson Demori é o novo colaborador de A BURETA, é um puta guitarrista e não entende porque Helio não gosta de rock americano moderno.


O beatle sério



Antes que alguém ache que vou puxar o saco do George Harrison, um aviso: meu beatle favorito é o Ringo. Contudo, caramba, não tem como não admirar George.

George sempre foi o beatle sério, aquele que não dava muita risada e não fazia muita gracinha. E foi assim, no macio, no gostoso, que o rapaz introduziu a cítara e o misticismo na música pop, mostrou-se o beatle mais técnico, sendo o único a saber ler música e deu uma bela força para alguns amigos ilustres.

Agora eu pergunto: o que Machado de Assis e George Harrison têm em comum ? São clássicos! Não, ambos tinham como hobby a jardinagem. Essa paixão de George surgiu em 1970, quando ele comprou Friar Park. A propriedade é composta de uma mansão de 120 cômodos e uma infinidade de jardins, cavernas e lagos. O criador de Friar Park foi sir Frankie Crisp, que foi homenageado no álbum All Things Must Pass, e cujo fantasma, alguns acreditam, ainda vive no local.

O envolvimento de George com o cinema é outro aspecto legal da sua carreira.

A trilha sonora do filme Wonderwall, gravado em 1968 na Swinging London, foi toda composta por George. O filme viria a inspirar Noel Galagher a compor um dos maiores sucessos do Oasis. Já o disco, foi o primeiro lançamento da gravadora Apple.

Já no final dos anos 1970, George criou a produtora Hand Made Films, cujo maior mérito foi possibilitar a realização de The Life Of Brian, dos malucos do Monty Python. E George ainda fez uma ponta não creditada no filme!

Também nos anos 1970 ele participou do filme Ringo, em que o baterista dos Beatles, cansado da fama, arruma um sósia para substituí-lo. Como diria a canção de Roberto Carlos, “encontrei um cara, que tinha a minha cara”.

E isso sem contar os Traveling Wilburys, a descompromissada banda formada com Dylan, Tom Petty e Roy Orbison, no final dos anos 1980.

O nome, de novo, foi inspirado pelos humoristas ingleses do Monty Python e cada músico assumiu um pseudônimo. George era o Nelson Wilbury. Roy Orbison realizaria as últimas gravações de sua vida com a banda.

É, em resumo, George Harrison é um cara legal.


Helio Medina é editor de A BURETA e não entende o rock americano moderno.



C- TIME BURETA, 2001.